shaW cobra autocrítica da FURIA após quarta derrota seguida

Em entrevista exclusiva, o comandante da FURIA avalia os erros cometidos contra a Envy no VCT Americas e cobra mudança de postura dos jogadores.

Neste sábado, 1 de agosto, a FURIA enfrentou a Envy em busca de se recuperar no Stage 2 do VCT Americas. A equipe brasileira começou bem, mas acabou sofrendo a virada e perdendo por 2×1. Com o resultado, a Pantera amargou a quarta derrota seguida e não tem mais chances de ir aos playoffs de forma direta. 

Em entrevista exclusiva ao Next Round, Ian “shaW” Jardim comentou sobre o atual momento da equipe, mudanças na composição e as dificuldades que a FURIA está passando dentro do servidor.

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Mudanças na composição e afirmação de identidade 

A FURIA chegou para a Haven com mudanças em relação ao último jogo contra o MIBR. GianFranco “koalanoob” Potestio e Fabia “Shyy” Usnayo voltaram a utilizar, respectivamente, a Jett e o Cypher. De acordo com shaW, as mudanças aconteceram devido a problemas na antiga composição. 

“A gente tentou scrimar mais alguns jogos com a mesma composição que estávamos lá atrás, só que conseguíamos ter o Shyy muito impactante, mas, por exemplo, no lado de defesa, a gente não conseguiu fazer tempo o suficiente para o time ajudar. Não me pergunte como, mas mesmo com o Breach todas as vezes que a gente perdia um site, a gente não conseguia fazer o redomínio nem nada.”

Além das questões relacionadas ao tempo e redomínio, shaW também explicou que a mudança foi pensada para ter o koalanoob mais ativo no jogo, principalmente com a Operator em mãos. 

“Eu também tava sentindo que o koala tava muito ‘away’ em questão do que ele poderia jogar de Operator. Então eu voltei ele pra Jett e o botei o Shyy jogando de novo com o Cypher porque eu sabia que a gente conseguiria arrumar um âncora muito bom e conseguir jogar um jogo que fosse mais a nossa identidade.”

Composições fora do meta e a inexperiência de basic

O meta atual do VALORANT é baseado em ter dois duelistas, principalmente Neon e Phoenix, e ter apenas um iniciador. Porém, a FURIA optou por seguir um caminho com dois iniciadores e até mesmo dois sentinelas em alguns mapas. Segundo shaW, a equipe até chegou a treinar e testar composições com dois duelistas, mas a inexperiência de Luiz “basic” Tessaro no stage pesou na decisão de não utilizar esse modelo.

“Para ser sincero, a gente treinou muito com dois duelistas, só que a inexperiência que o basic ainda tem dentro do stage pesou muito. Ele tava com muito medo de jogar como segundo duelista e não ter presença de voz dentro do time.”

ShaW detalhou que uma das saídas para jogar com composições fora do meta era jogar em torno do koala e fazer com que a Operator dele fosse mais impactante durante os jogos. 

“A gente também tentou jogar em volta do koala para beneficiar a Operator dele, mas claramente não está funcionando.”

O problema das eliminações iniciais e leitura de jogo da FURIA

Um dos grandes problemas da FURIA neste Stage 2 do VCT Americas está na quantidade de first kills que a equipe proporciona ao time adversário. Antes do confronto deste sábado, Arthur “artzin” Araújo era um dos jogadores com mais first death’s do campeonato. Para shaW, essa questão vai muito do entendimento e da escolha dos jogadores dentro do servidor, mas que eles tendem a se complicar muito, pois perdem não só o IGL, mas o controlador do time. 

“Por exemplo, ele pegou muita first kill na Haven. A gente conseguiu ganhar o jogo porque ele conseguia segurar um site na proposta que a gente queria. Só que em contrapartida no momentos que ele tomou o first kill e a gente não conseguiu tradear ele rápido, é um round muito difícil de ganhar por que você tá sem o seu controlador.” 

Para o treinador da FURIA, essa questão das first deaths é um incômodo que ela já vem notando e precisa rever, pois não deveria estar acontecendo da forma que está atualmente. 

“Tem que rever, porque não é o certo e não deveria estar acontecendo. Todo treino durante a semana a gente faz muito vod review para tentar analisar essas situações e mitigar elas, mudar o jeito que está acontecendo.” 

A falta de leitura durante os rounds também incomodou o treinador da equipe brasileira, que julgou ser necessário entender de fato o que aconteceu na comunicação para conseguir rever essa questão. 

“Eu vou rever de novo a comunicação, mas eu tenho a estranha sensação que a gente não tava lendo o round durante os dois últimos mapas. Eu tenho a estranha sensação que a gente tava só: ‘Ah beleza, é para começar B e terminar A, então vamo seguir isso até o final’. Não tava rolando adaptação.” 

Apagão mental na Ascent e a necessidade de autocrítica

Mesmo vencendo o primeiro mapa, que era escolha do adversário, a FURIA não conseguiu se encontrar mais na partida e acabou sofrendo a virada. No decider, a Ascent, a equipe começou muito bem e abriu 3×0 na Envy. Entretanto, após tomar um round econômico, a Pantera demorou a voltar para o game e viu os norte-americanos empilharem doze rounds em sequência. 

“Quando você abre 3×0 e tá entendendo as coisas que estão acontecendo no mapa e, por algum motivo, você desliga mentalmente, você precisa revisitar essas situações, olhar aquilo, aceitar e falar: ‘Cara, tem que tratar as coisas de uma forma diferente’. Por que não pode ser conversado no intervalo de mapa que se fizermos três rounds em sequência eles vão rushar e a gente ainda morrer.” 

Para shaW, o fator mental foi um dos grandes problemas que a FURIA teve na Ascent, mas que uma autocrítica aos jogadores também é importante para entender o que está dando errado. 

“Eu sei o que eu poderia ter feito de diferente ao longo desses últimos tempos, mas não dá para você começar o terceiro mapa no lado de ataque jogando contra um Chamber, meter 3 a 0 e aí parecer que o mapa foi para o cacete porque a gente tomou dois rush seguidos. Logo depois, a gente fez uma execução B num eco. A gente entrou, tava os cinco [da FURIA] vivos dentro do bomb e a gente não produziu nada. O jogador ele precisa também sentar e olhar um pouco o que ele está fazendo de errado”. 

O coach também destacou a possibilidade de realizar um “choque” no elenco, tal qual aconteceu do off season para o Kickoff. Na oportunidade, a FURIA realizou mudanças significativas e conseguiu se classificar, de forma invicta, para o Masters Santiango.

“Eu acho que precisa rolar um choque, tal qual foi o do off season para o Kickoff, que a gente também estava muito mal e tomei minhas decisões. Então, eu acho que vou tentar soluções diferentes porque, claramente, a gente comete alguns erros e se perde psicologicamente dentro do jogo.”

Confira a entrevista completa no canal oficial do Next Round no Youtube:

A FURIA volta a jogar na próxima quinta-feira, dia 6 de agosto, contra a Evil Geniuses. O confronto acontece às 18 horas (horário de Brasília). 

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