A organização de esports Stellae Gaming, que transferiu suas lines para a INTZ, estaria devendo o pagamento total das premiações alcançadas pela equipe de VALORANT, de acordo com apuração realizada pelo Next Round. O segundo semestre de 2025, que reúne os valores do Challengers 2025: Brazil Gamers Club Stage 2, VCT 2025: Americas Ascension e Tixinha & Sacy Invitational 2, não teria sido repassado à maioria dos jogadores e staff da equipe. Até mesmo as premiações de 2026 (Challengers 2026 Stage 1 e Stage 2) da empresa adquirida pela Stellae, INTZ, não foram pagas aos integrantes da recém-encerrada line de VALORANT.
De acordo com a apuração, o contrato firmado entre os integrantes do time de VALORANT e a organização teria sido feito em formato de distribuição de lucros, em que toda a renda gerada pela empresa é dividida em uma porcentagem pré-estabelecida entre ambos os lados. No time, havia jogadores que teriam participação de 50% do valor total alcançado pela Stellae, enquanto a organização iria reter a outra metade. Outros integrantes, por outro lado, receberiam 70%, restando 30% para a empresa.
Contudo, com a chegada do Split 2 e a continuidade das competições, a Stellae teria passado a não pagar as premiações dos jogadores nos prazos pré-estabelecidos. A justificativa dada pela diretoria era sempre o reagendamento do pagamento, o que teria se prolongado por mais de um ano, visto que os integrantes não tiveram o valor integral recebido até hoje (10/09/2026). De acordo com fontes próximas ao Next Round, a quitação de alguns casos de atraso só teria sido realizada mediante a ameaça de processo. Conforme relatado ao portal, a dívida da organização com alguns integrantes que passaram pela modalidade de VALORANT estaria em um valor aproximado de R$ 65 mil*.
*O número acima não representa o valor exato de todos os integrantes do elenco de VALORANT da Stellae Gaming/INTZ.
Durante setembro de 2025, a equipe passou por um bootcamp na Holanda, que teria sido pago com o valor das premiações que seria destinado ao elenco. A decisão teria partido da organização e foi acordada, de forma imprecisa, com os integrantes. Segundo relatado, a informação estava “escondida” no contrato assinado.
Contrato sem período de término
Em janeiro de 2026, a INTZ foi adquirida pela HiveScale Holding, que transferiu todas as atividades competitivas da Stellae Gaming para a nova marca. Da mesma forma, o time de VALORANT da Stellae tornou-se INTZ.
Mas o que não estava dentro do conhecimento da comunidade era que alguns jogadores teriam sido mantidos no elenco à contraposto; o contrato assinado pela maioria dos integrantes não teria prazo de término, o que os retinha na situação de não-pagamento das premiações e na permanência na organização. Inclusive, a questão teria prejudicado alguns dos jogadores a encontrarem novas oportunidades dentro do primeiro split de 2026.
Comunicação entre jogadores e Stellae
De acordo com os relatos, a organização não tinha o costume de prestar contas aos integrantes da equipe, o que dificultava a relação proposta no contrato de distribuição de lucros: “nunca foi apresentado um dado trimestral de quando (o lucro) entrou e quando saiu”, disse a fonte.
A comunicação, que ocorria majoritariamente em grupos do WhatsApp, teria sido um problema para a equipe com o atraso das premiações; “contratos e prazos de pagamento sempre foram por WhatsApp, com a desculpa de que iria cair no próximo pagamento do salário”.
Em março de 2026, os integrantes também teriam enfrentado o espaçamento do pagamento dos salários, que era feito uma vez por semana para um período de 15 em 15 dias. Ainda neste ano e para além do elenco de VALORANT, há outros funcionários da INTZ que passaram pelo atraso e distanciamento dos salários.
O Next Round entrou em contato com a Stellae Gaming, empresa que gerencia a INTZ, por e-mail, para escutar sua versão. Contudo, a redação não obteve retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto para adição do pronunciamento da organização.




