Depois de um início de temporada promissor, mas que prosseguiu abaixo das expectativas, a FURIA chega ao Stage 2 do VCT Americas 2026 parcialmente reformulada. As mudanças no elenco trouxeram novos nomes e alteraram funções no time com o objetivo de reencontrar o caminho das vitórias para garantir presença no Champions.
Em entrevista exclusiva concedida ao Next Round, o treinador shaW abriu o jogo sobre todo este processo. Um dos primeiros assuntos abordados durante a entrevista foi justamente o desempenho da equipe após um início de temporada extremamente competitivo.

Segundo shaW, a principal explicação para a queda de rendimento está diretamente ligada às mudanças promovidas pela Riot Games no meta competitivo. O treinador fala sobre a reformulação da FURIA, mas deixa claro que tudo começou quando o cenário deixou de favorecer o estilo que havia sido construído desde o início do projeto.
“O primeiro meta que a gente jogou, com Waylay e Yoru, encaixou como uma luva para o nosso time. Inclusive, no início do projeto, os jogadores nem queriam jogar dessa forma. Foi algo que insistimos bastante, acreditando que daria certo. E deu”
Com a aposta dando resultado, a FURIA rapidamente se consolidou entre as principais equipes do VCT Americas, mas o sucesso, segundo shaW, acabou trazendo consequências no desempenho do time.
“Quando você alcança o topo, mesmo que por um curto período, acaba criando a sensação de que encontrou a receita perfeita. Acho que a gente se apegou muito ao que já tinha funcionado e teve dificuldade para encontrar novas soluções e levá-las para dentro do servidor. Isso acabou afetando o time psicologicamente, principalmente pela falta de experiência. Mas, sem dúvida, o meta foi o fator que mais pesou”
Chegadas de basic e Shyy
As entradas do basic e do Shyy no elenco foram o ponto de partida da reformulação na FURIA para o Stage 2 do VCT Americas 2026. Em relação ao Shyy, shaW explica que a contratação não aconteceu por insatisfação com o desempenho individual de Art na função de sentinela, mas sim pela necessidade do time de ter mais um atleta experiente, capaz de assumir responsabilidades táticas dentro do servidor e que pudesse ajudar a organizar o restante da equipe durante as partidas.
“Eu precisava de um jogador que pudesse ficar sozinho em um bomb, que eu soubesse que faria seu trabalho com consistência e sem precisar ensinar os fundamentos do jogo. O Shyy é esse cara. Ele tem uma mira muito forte, é extremamente dedicado dentro e fora do servidor e trabalha muito. A troca teve muito mais relação com liderança e comunicação do que propriamente com desempenho”
Em relação ao basic, shaW explica que o maior obstáculo que impedia o jogador de estar na equipe antes era a comunicação, por não ter o nível de inglês adequado que o time exigia. O brasileiro fazia parte do projeto há algum tempo, como jogador reserva da organização, mas não havia tido uma oportunidade concreta como titular.
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Segundo o treinador, disputar uma equipe internacional exige domínio do inglês muito maior do que boa parte da comunidade imagina. Ele explicou que, nas primeiras semanas de adaptação, é comum os jogadores terminarem o dia completamente exaustos devido ao esforço mental necessário para compreender e responder rapidamente às informações.
Com a evolução no inglês de basic, shaW destaca que a sua flexibilidade tática em aprender novos agentes e seu potencial mecânico foram fatores decisivos para a efetivação do jogador.
“Às vezes você pede para um jogador mais experiente testar um agente novo, como a Vyse, por exemplo, e ele responde que o personagem não presta e que não vai jogar. Com o basic isso não acontece. Ele é muito aberto para experimentar coisas novas. Os jogadores anteriores também aceitavam mudanças, então esse nunca foi o problema. A diferença é que eu vejo no Basic um potencial individual acima da média. Em alguns momentos estávamos perdendo muitos duelos individuais. Se eu tenho um jogador com esse potencial na reserva, que ainda traz mais flexibilidade para o elenco e está disposto a aprender qualquer função, faz muito mais sentido utilizá-lo do que deixá-lo parado”
Mesmo satisfeito com alguns avanços recentes, shaw admite que a equipe ainda está distante do nível que imagina. Segundo ele, durante o início da temporada, a FURIA chegou muito perto da identidade construída pela comissão técnica.
“No início da temporada, principalmente durante o Kickoff, eu acho que a gente jogou exatamente o Valorant que eu tinha idealizado. Nada daquilo aconteceu por acaso. Tudo foi planejado, estudado e construído. Já no Stage 1 tivemos alguns bons momentos e conseguimos reconstruir parte da nossa identidade em determinados mapas. Mas, aos poucos, fomos perdendo isso. Passei a enxergar um time jogando com muito medo de tomar decisões, muito inconsistente dentro do servidor. Esse definitivamente não é o estilo de jogo que eu gosto”
Champions é prioridade absoluta
Embora a FURIA tenha tido a pretensão de disputar títulos após o Kickoff, shaW admitiu que o objetivo imediato da equipe não é vencer o VCT Americas. “Hoje, nosso foco é chegar ao Champions”, destaca.
Na visão do treinador, uma equipe recém-reformulada ainda precisa ganhar tempo de trabalho antes de pensar em disputar títulos internacionais. Para justificar esse pensamento, ele citou a campanha histórica da Evil Geniuses em 2023: a organização norte-americana promoveu mudanças importantes entre o primeiro e o segundo split da temporada e, poucos meses depois, conquistou o título mundial.
“Eu não preciso ser campeão das Americas agora. O que eu preciso é chegar ao Champions. Se conseguirmos essa classificação, teremos mais tempo para desenvolver a equipe e aumentar nossas chances de lutar por um título. Hoje, a prioridade é muito clara: conquistar os playoffs e garantir a vaga no Champions”, concluiu.
Assista à entrevista completa no YouTube:
Quando a FURIA joga: calendário de abertura do VCT Americas
A segunda etapa do VCT Americas começa nesta quinta-feira, 16 de julho. Para a fase inicial da competição, as equipes seguem divididas nos grupos Alpha e Omega. A FURIA estreia contra a Leviatán, nesta quinta-feira (16), às 18h.
Confira o calendário do primeiro final de semana (horário de Brasília):
Quinta-feira, 16 de julho
- 18h: FURIA x Leviatán
- 21h: Sentinels x Cloud9
Sexta-feira, 17 de julho
- 18h: ENVY x Evil Geniuses
- 21h: LOUD x KRÜ
Sábado, 18 de julho
- 18h: G2 x 100 Thieves
- 21h: MIBR x NRG




