A 100 Thieves venceu a Nongshim RedForce no VALORANT Champions 2026 e segue na disputa pelo título mundial em Shanghai. Em entrevista à Next Round, Sean “bang” Bezerra analisou a atuação da equipe, destacou a força da defesa na Ascent e explicou como a disciplina e a diversão ajudam a 100 Thieves a competir em alto nível. O jogador também comentou a versatilidade das equipes das Américas, a experiência de disputar um campeonato internacional e sua conexão com o Brasil.
Vocês tiveram uma série bastante disputada contra a Nongshim RedForce. O que mudou entre o segundo e o terceiro mapas para vocês conseguirem fechar a partida?
Sean “bang” Bezerra: “é a nossa defesa na Ascent. Acho que nossa defesa na Ascent é a melhor do mundo e que todas as equipes vão ter muita dificuldade de jogar contra ela, especialmente uma equipe como a deles. Obviamente, eles não tinham a melhor composição para atacar a nossa defesa, então isso acabou dificultando as coisas para eles. Mas, de modo geral, ao longo da série, tivemos alguns momentos em que estávamos nos divertindo um pouco demais. Acabávamos avançando e buscando confrontos demais. Tentando fazer coisas além do necessário. É claro que estávamos dando o nosso melhor, mas, às vezes, acabávamos brincando um pouco. Entre o segundo e o terceiro mapas, percebemos que precisávamos voltar a nos concentrar, ter mais disciplina e parar de entrar em confrontos desnecessários. Acho que isso nos ajudou a recuperar o foco e a executar nossa defesa de uma maneira muito mais limpa.”
É legal ouvir que vocês tentam se divertir mesmo em momentos de tensão, especialmente depois da derrota para a G2 no dia anterior. Você acha importante ter esses momentos de descontração para manter a energia da equipe?
bang: “Sempre achei que uma das coisas mais importantes para vencer é garantir que você esteja se divertindo enquanto joga. Acho que uma das grandes razões para vencer é justamente essa: vocês estão se divertindo, os jogadores estão jogando com naturalidade, estão aproveitando o jogo, e isso faz com que tudo fique mais fácil. Então, obviamente, existem momentos em que dá para se divertir demais, como aconteceu hoje. Mas, no geral, acho que uma das coisas que nosso treinador sempre nos diz, todos os dias antes de jogarmos, é para garantir que estamos nos divertindo enquanto jogamos.”
Os últimos meses foram bastante intensos, com vocês jogando em Los Angeles, depois no Brasil e agora em Shanghai. Como você mantém sua rotina durante tantas viagens e o que considera importante continuar fazendo da mesma maneira?
bang: “Para mim, é tentar garantir que tudo o que faço seja basicamente igual ao que faço em Los Angeles e durante as competições regionais. Não mudo muita coisa. Talvez eu caminhe um pouco mais do que costumo caminhar em Los Angeles. Acho que, na verdade, faço mais exercícios porque ando mais. Gosto de explorar os lugares onde estou. Em Los Angeles, geralmente volto para o meu apartamento e fico por lá. Mas acho que, em torneios internacionais, a única coisa que gosto de mudar um pouco é tentar criar memórias. Gosto de sair, ir a restaurantes, explorar e fazer esse tipo de coisa. Acho que isso também é muito bom para a equipe, para o clima entre os jogadores e para a química do time. Fora isso, em relação à rotina dentro do jogo, tento me concentrar em fazer tudo o que preciso para me sentir preparado para uma partida.”
E você conseguiu explorar Shanghai? Encontrou alguma coisa interessante por aí?
bang: “Apesar de ter dito que gosto de explorar, não consegui fazer isso tanto quanto gostaria. Mas, de modo geral, adoro comida chinesa. Fomos a um restaurante muito bom uma vez, e a comida estava maravilhosa, muito gostosa. Ultimamente, nossa grande atividade tem sido sair à noite para comer sobremesa no shopping aqui perto. Tem sido muito divertido poder fazer isso à noite. Às vezes, também encontramos fãs por lá, e poder tirar fotos com eles é muito legal.”

Foto por Colin Young-Wolff/Riot Games
Todas as equipes das Américas se classificaram para os playoffs, e as cinco estão nas primeiras posições do Power Ranking da Riot Games. O que você acha que faz a região se destacar tanto em relação às outras?
bang: “Acho que temos uma boa combinação de tudo o que existe na nossa região e também acredito que temos os melhores jogadores. Para mim, o principal é que muitas das boas equipes do Américas conseguem jogar de maneiras diferentes e se adaptar bem ao meta. Temos muitos jogadores versáteis no Américas, que não são bons apenas com um agente específico. Acho que existem jogadores como o Asuna, por exemplo, que é muito bom de Phoenix, mas também é muito bom com outros agentes. Atualmente, ele é mais conhecido pelo Phoenix, mas consegue jogar com outros agentes também. Já vimos ele jogar de Omen, KAY/O, Sage e vários outros. Acho que o Américas são uma região muito versátil e conseguem se adaptar ao meta e aos estilos de jogo. No começo do ano, tivemos o meta de dois duelistas, que continua presente até hoje, e também o meta de Yoru. Sempre que o meta muda, sinto que nossa região consegue entendê-lo bem e se adaptar.”
Falando um pouco mais sobre os estilos de jogo do Pacific e da China, como vocês se prepararam para essas partidas?
bang: “Tratamos como qualquer outra partida, para ser sincero. Fizemos nossa quantidade habitual de preparação contra os adversários. Para esta partida, fizemos um pouco menos porque não tivemos muito tempo. Mas fizemos o que conseguimos. Não mudamos muita coisa. Nosso foco neste confronto foi jogar do nosso jeito, em vez de analisar profundamente o que o adversário faz. Isso porque acho que ficamos um pouco presos na nossa própria cabeça na partida anterior contra a G2. Fizemos muita preparação e, para alguns de nós, acho que acabou sendo demais. Por isso, nosso foco nesta partida foi mais em nós mesmos.”
A 100 Thieves tem fãs no mundo inteiro, e vocês também receberam o apoio dos torcedores brasileiros em São Paulo. O que significa para você ver fãs de diferentes países apoiando a equipe?
bang: “Com certeza significa muito para mim ver todos esses fãs gritando nossos nomes e dizendo o quanto gostam de nos assistir e de acompanhar nossas partidas. É uma posição em que nunca imaginei que estaria na minha vida. Então, poder valorizar isso toda vez que acontece é muito importante para mim. Eu também já fui fã. Não ia a eventos, mas adorava assistir às partidas na Twitch, quando acompanhava CS e coisas assim. Eu tinha jogadores que admirava. Saber que agora outras pessoas estão vivendo essa experiência por minha causa, e que posso ser uma espécie de referência para elas, é algo que não considero garantido. Sou muito grato a todos os fãs, em todas as regiões.”
E como foi estar em São Paulo, no Brasil, sabendo que você tem uma conexão familiar com o país?
bang: “Sempre gostei de conversar com meu pai sobre ir ao Brasil. Ele sempre fala sobre a comida e sobre aquilo de que sente falta no Brasil. Às vezes, compra coisas como pão de queijo. Ele adora pão de queijo e comia quando eu estava crescendo. Ele também preparava pratos para mim, como galinhada, que acho que é basicamente frango com arroz. Não tive uma criação tão ligada à cultura brasileira, mas meu pai tentou me proporcionar um pouco dessa experiência da maneira que podia. Então, foi muito legal poder conversar com ele, principalmente sobre a comida, a culinária e as pessoas.”
Para a partida de amanhã, você tem alguma previsão? Quem acha que vai vencer?
bang: “Acho que as duas partidas podem ir para qualquer lado. Eu escolheria a G2 contra a Vitality porque sinto que eles estão atingindo seu melhor nível agora e jogando de uma maneira muito difícil de enfrentar. Parece que não têm medo quando estão jogando. Então, escolheria a G2 nessa partida. Já em NRG contra LOUD, vou escolher a NRG porque acho que eles estão em uma fase melhor do que estavam quando enfrentaram a LOUD da última vez. Como eu disse, as duas partidas podem ir para qualquer lado, mas essas são minhas escolhas.”

Você compete no mais alto nível há bastante tempo. Pensando no fim da temporada das Ligas e na sua evolução, como enxerga seu futuro para o próximo ano?
bang: “Estou muito animado para o próximo ano. Saber que posso estar constantemente viajando, disputando torneios em cidades diferentes e vivendo experiências como essas é algo que me deixa muito empolgado e que estou realmente ansioso para viver. Mas, por enquanto, estou focado no que gosto de fazer durante toda offseason: tirar um tempo para descansar, mas também tentar melhorar e chegar ainda melhor ao próximo ano. Gosto de olhar para trás e refletir sobre a temporada, tentando enxergar o ano como um todo, de uma perspectiva mais ampla, e pensar no que eu poderia ter feito melhor e no que posso levar para a equipe em que estiver no próximo ano.”




