“A gente sofreu bastante”, diz shaW após eliminação da FURIA no VCT Americas

Coach da FURIA falou sobre temporada difícil, nervosismo na virada contra a G2 e mudanças feitas pela equipe no VCT Americas

A FURIA foi eliminada do VCT Americas 2026 Stage 2 após perder para a G2 Esports por 2 a 1, no último sábado (29), pelo Lower Round 1 dos playoffs. A equipe brasileira venceu a Haven por 13 a 8, mas sofreu a virada depois de perder a Sunset por 13 a 10 e a Abyss por 13 a 5.

Com o resultado, a FURIA encerrou a temporada sem vaga no VALORANT Champions Shanghai 2026. A organização havia começado o ano com título no Kickoff Americas, mas terminou fora da reta final em São Paulo e sem pontos suficientes para buscar a classificação ao mundial pelo circuito.

Após a partida, Ian “shaW” Jardim conversou com o Next Round sobre o ano da FURIA, a virada sofrida contra a G2 e as mudanças feitas pela equipe ao longo da temporada.

shaW avalia temporada da FURIA

A eliminação encerrou um ano de extremos para a FURIA. A equipe começou 2026 como seed 1 das Américas, disputou torneio internacional, passou por mudanças no elenco e precisou se adaptar a um novo meta durante o Stage 2.

FURIA venceu o MIBR por 3 a 2 na final da chave superior do VCT Americas Kickoff 2026 e garantiu a seed 1 das Américas no torneio. Foto: Colin Young-Wolff/Riot Games

Para shaW, o bom início de ano também elevou a pressão interna sobre o elenco.

“Quando você acaba sendo seed 1, começa a colocar a barra muito alta. Você sente a obrigação de ser seed 1 de novo, de ganhar de novo, e isso frustra muito as pessoas. A gente jogou muito bem o Kickoff e o Masters, mesmo perdendo dois jogos, então isso criou uma realidade de que éramos top contender”, afirmou.

O treinador, porém, disse que a FURIA ainda não tinha a consistência necessária para se manter entre os principais times da região.

“Eu sentia que a gente era bom, mas não sentia que era top contender. Times assim conseguem se adaptar a composições e estilos diferentes. A gente ainda não tinha amadurecido isso”, completou.

Virada na Sunset passa por nervosismo

Contra a G2, a FURIA chegou a abrir 9 a 3 na Sunset, mas venceu apenas um round depois da troca de lados e viu o adversário virar o mapa. Para shaW, a composição da G2 já dava vantagem no lado defensivo, mas a equipe brasileira também deixou escapar situações importantes.

“A composição deles tinha bastante vantagem no lado de defesa. A gente sabia que eles fariam muita pressão de mapa com o BABYBAY para tentar pegar vantagem antes de jogar mais recuado. Em alguns momentos, conseguimos forçar o gasto de recursos, mas, no fim dos rounds, as trocas estavam ficando a favor deles”, explicou.

O coach também apontou que o nervosismo pesou na reta final do mapa e acabou afetando as decisões da FURIA.

“Quando os nervos estão à flor da pele, alguém fala para parar, outro fala para ir, e as decisões começam a desencontrar. Teve bastante nervosismo no meio para o fim da Sunset, e isso acabou se refletindo também na Abyss”, disse.

Mudanças e meta marcaram reta final

Ao longo da temporada, a FURIA precisou lidar com mudanças no elenco e nas composições. shaW reconheceu críticas recebidas pelas trocas, mas afirmou que as decisões foram coletivas e partiram da dificuldade do time em evoluir no dia a dia.

“Algumas pessoas me criticaram pelas trocas, e eu posso assumir isso, mas foram decisões coletivas. A gente não estava conseguindo trabalhar. Sentíamos que, do primeiro ao décimo dia de treino, parecia que não tínhamos evoluído”, afirmou.

O treinador também admitiu que poderia ter sido mais incisivo em alguns momentos, principalmente na adaptação ao meta com Neon.

“Quando comecei a assistir ao Masters, vi o que o spikeziN estava fazendo e o quanto ele conseguia produzir com a Neon. Comecei a me questionar se conseguiríamos jogar sem um player de Neon. Talvez eu devesse ter sido mais incisivo e menos coletivo em algumas decisões”, disse.

Apesar do fim amargo, shaW afirmou que leva pontos positivos da temporada, principalmente na própria evolução como treinador.

“Foi o meu melhor ano de compreensão do jogo no profissional. Também evoluí muito na parte de relacionamento com os jogadores. Eu era uma pessoa mais dura em outros anos e acho que consegui entender melhor os outros e falar melhor com eles”, completou.

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