A defesa do título mundial segue viva para a NRG no Champions Shanghai 2026. A equipe norte-americana garantiu a vaga na semifinal nesta quarta-feira (7), após superar a T1 por 2 a 0. A equipe chegou a estar atrás por 10 a 6 no primeiro mapa, mas conseguiu reagir e levar a partida para o segundo mapa, onde fechou a série com um placar de 13 a 7.
Após a vitória, Georgio “keiko” Sanassy conversou com o Next Round sobre a campanha da equipe, a adaptação entre Americas e EMEA e a mentalidade necessária para seguir em busca do seu primeiro título internacional.
Vocês chegaram a estar perdendo de 10 a 6 no primeiro mapa, mas conseguiram virar e depois fechar a série por 2 a 0. O que mudou durante essa virada e como vocês conseguiram levar esse embalo para o segundo mapa?
Georgio “keiko” Sanassy: “Nós estávamos perdendo de 10 a 6 em determinado momento. Perdemos os dois pistols, então foram quatro rounds. Tecnicamente, era quase como se estivesse 6 a 6, eu acho. Acho que essa foi realmente a única coisa para nós. Parecia muito pior do que realmente era quando você olha para o placar. Acho que nos sentimos bem confortáveis no nosso lado de ataque. O Ethan é um ótimo caller no ataque da Lotus, então sinto que foi bem fácil fazer essa virada.”
Você disputou vários torneios internacionais com a NRG neste ano, mas agora tem a chance de levantar um troféu com esse time e seus companheiros. O que isso significaria para você?
keiko: “Acho que significaria muito para mim, porque havia muitas expectativas no começo deste ano sobre a minha chegada, sobre substituir o s0m e entrar em um time que é campeão mundial. Existe muita expectativa. Entrar em uma região diferente e jogar contra muitas pessoas e equipes que você não conhece é uma nova experiência de aprendizado, e acho que tem sido muito bom até agora. Significaria muito para mim ganhar, principalmente porque é o Champions. Eu levantaria meu primeiro troféu, e acho que vencer com esse time seria incrível.”
Agora que você teve a experiência de jogar nas duas regiões, qual você acha que é a maior diferença entre Americas e EMEA?
keiko: “Acho que na Europa não existem tantos estilos de jogo diferentes quanto existem no Americas. [No EMEA] existem identidades muito fortes nas equipes e na forma como elas jogam. No Americas, cada equipe tem sua própria identidade, sua própria maneira e estilo de jogar. Acho que é muito evidente na Europa que as pessoas simplesmente copiam umas às outras e não criam nada original. Sinto que, no ano passado, quando joguei na Team Liquid, havia muitas equipes tentando copiar a Fnatic e fazer exatamente o que eles faziam, só que não tão bem. No Americas, as pessoas simplesmente fazem suas próprias coisas, e é mais difícil se adaptar durante a partida quando você enfrenta essas equipes. Então é um ambiente muito diferente, e acho que é por isso que este ano é muito mais difícil comparado ao ano passado.”
Recentemente, o Ethan falou em uma entrevista sobre “praticar como se nunca tivesse vencido e competir como se nunca tivesse perdido”. Como essa mentalidade aparece no dia a dia de vocês durante os treinos?
keiko: “Acho que, no dia a dia de treino, o bonkar e o Ethan definem objetivos muito bons para o dia, o que estamos trabalhando e quais são os nossos focos. O bonkar tem uma participação muito grande em identificar nossos problemas e tentar corrigi-los. Acho que essa mentalidade aparece porque o Ethan ganhou dois torneios e não existe ego envolvido no sentido de ‘é assim que devemos fazer as coisas’. Acho que todo mundo é muito aberto. Todo mundo também já ganhou um torneio, então todos estão muito abertos a discutir como devemos fazer as coisas, como devemos jogar e realmente ouvir uns aos outros. Não existe realmente um conflito de egos como em muitos outros times. Acho que as pessoas simplesmente tentam ouvir e entender umas às outras. Todo mundo quer ganhar, então ninguém está falando coisas só por falar. Essa é a principal coisa: seguir em frente a cada dia e melhorar.”
Com companheiros tão fortes e o troféu ainda como objetivo, como vocês mantêm esse desejo e continuam buscando o melhor resultado possível?
keiko: “Para mim, o desejo ainda está lá. Eu quero ganhar alguma coisa. Não é como se eu tivesse me classificado para um internacional só para me classificar. Eu quero ganhar o torneio. Essa é a minha segunda campanha chegando longe, eu acho. Comparado ao ano passado, não tivemos nenhuma campanha longa; apenas chegamos aos grupos e fomos eliminados. Então acho que o objetivo é chegar até o fim, para ser sincero, e ganhar o troféu. Esse é o meu objetivo pessoal. Para os outros caras, eles querem consolidar isso e ganhar outro [troféu]. Esse desejo realmente não acaba para nós. Sinto que todo mundo está muito faminto para vencer e é apaixonado por isso. E eles só farão o que for necessário.”
Os últimos meses foram bem intensos, indo de Los Angeles para o Brasil e agora para Shanghai. Como você consegue manter uma rotina enquanto está constantemente viajando entre países?
keiko: “Cada jogador tem sua própria rotina fora do jogo, o que faz para se manter em forma e garantir que continue bem. Acho que ter longos períodos em que é difícil treinar é uma questão importante. Estamos viajando muito, temos muitos dias em que estamos apenas jogando e muitos dias seguidos de midia day, então realmente não temos muito tempo para treinar. Por exemplo, quando chegamos em Shanghai, tivemos dois dias de treino, mas felizmente planejamos um bootcamp antes, então tivemos muitos dias para treinar, aprimorar nossas coisas e corrigir pequenos detalhes. Acho que isso realmente nos deu bastante momentum.”
Existe alguma coisa que você gosta de manter na sua rotina fora do jogo, como exercícios ou alguma atividade que não envolva VALORANT?
keiko: “Acho que todo mundo é diferente, e as pessoas fazem o que é confortável e o que querem fazer. Algumas pessoas fazem muitos exercícios. Eu, pessoalmente, gosto de jogar, fazer minhas coisas e sair para caminhar. Essa é a principal coisa que faço. Muitos jogadores gostam de ir à academia, muitos gostam de ficar jogando ranked 24 horas por dia, e algumas pessoas nem encostam no jogo. É algo pessoal, realmente, e depende do que faz você se sentir confortável.”
Vocês receberam muito apoio dos fãs brasileiros durante o torneio, e agora também estão sentindo o apoio em Shanghai. Como é ter fãs internacionais apoiando você e a NRG?
keiko: “Eu realmente amo os fãs brasileiros. Acho que eles são muito apaixonados e nos dão muita energia. Lembro que, quando estávamos em São Paulo, metade da torcida estava nos vaiando e metade estava torcendo por nós. Eles proporcionam uma energia incrível. Então estou muito feliz por ter alguns deles do nosso lado. É muito bom ter os fãs brasileiros do nosso lado, é muito legal.”
E como tem sido a experiência com os fãs chineses? Como você está sentindo o apoio deles aí em Shanghai?
keiko: “Os fãs chineses são ótimos. Acho que eles são muito apaixonados pelo jogo e muito respeitosos. Por exemplo, em situações de clutch, eles não ficam gritando ou fazendo muito barulho, mas quando o round termina, todo mundo comemora pelos dois lados. Acho que é muito legal e é uma atmosfera muito boa. Os fãs chineses também são muito apaixonados. Existe uma cultura de fãs muito grande aqui, e eles adoram nos ver, tirar fotos e fazer fan signs. Um dia fomos comer fora e havia pessoas que nos reconheceram. VALORANT é muito grande aqui, então é muito legal.”
Olhando para a campanha da NRG neste ano, qual você acha que foi a maior lição que aprendeu?
keiko: “Acho que a maior lição é confiar no processo. Às vezes ao longo do ano, as coisas parecem estar indo muito mal, mas enquanto você confia no processo, existe uma direção. Se todo mundo seguir essa direção dada pelo treinador ou pelo IGL, acho que tudo vai dar certo. No fim, você simplesmente joga como um time.”




